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O novo padrão de corpo do TikTok e por que ele é ainda mais impossível que o anterior

Agora temos um novo padrão, o corpo do TikTok e ele é ainda mais impossível que os anteriores. Leia e descubra por que isso está afetando especialmente mulheres adultas e o que ninguém está falando sobre essa tendência.

Toda geração cria seus próprios padrões de beleza, nos anos 2000, era a barriga chapada, depois, veio o boom do bumbum gigante, mais recentemente, a era das “musas fitness”. Mas, nos últimos meses, algo novo começou a surgir, e dessa vez, com força total no TikTok.

Um novo corpo “ideal”, vendido como referência máxima de beleza, saúde e disciplina. Um corpo que mistura:

  • músculos extremamente definidos,
  • cintura muito fina,
  • quadril projetado,
  • pouca gordura,
  • pele sem marca,
  • e uma simetria que não existe fora da tela.

É o corpo “toned skinny”, como algumas influenciadoras americanas têm chamado. O corpo do TikTok é atlético, magro, definido e esculpido, tudo ao mesmo tempo.

E quanto mais eu observo esse movimento, mais eu percebo que esse novo padrão não é só inalcançável. Ele é perigoso.

Porque ele exige uma combinação de genética, disciplina extrema, procedimentos, hormônios e filtros que a maioria das mulheres simplesmente não têm (e nem deveriam ter).

O novo padrão de corpo do TikTok e por que ele é ainda mais impossível que o anterior

O corpo que ninguém tem… mas todo mundo tenta ter

O que mais me impressiona é que esse padrão não é só estético, ele é matemático. É como se o corpo ideal tivesse virado uma equação impossível: ser magra o suficiente para parecer leve, mas com músculos suficientes para parecer forte.

E o nível de exigência é tão alto que mesmo mulheres que treinam todos os dias começam a se sentir insuficientes. Sim, até mulheres que já são consideradas “exemplo”.

E assim, o TikTok criou um corpo que não existe naturalmente.

Ele exige:

  • treino pesado,
  • déficit calórico,
  • baixo percentual de gordura,
  • procedimentos estéticos,
  • manipulação hormonal,
  • edição,
  • genética específica,
  • e uma vida inteira voltada para a estética.

Não é só difícil, isso é exaustivo. E ainda assim, aparece como se fosse simples, como se fosse só “seguir a rotina”.

A comparação que começa sem a gente perceber

Eu percebi que esse novo padrão tem um efeito emocional muito mais silencioso que os anteriores. Não é aquele impacto direto do “corpo violão” que a gente via nos anos 2010.

É mais sutil, mais psicológico, porque ele se disfarça de “saúde”. E, isso acontece porque os vídeos falam de:

  • “estilo de vida”,
  • “rotina matinal”,
  • “clean eating”,
  • “treino inteligente”,
  • “corpo funcional”,
  • “energia”,
  • “bem-estar”.

O discurso é bonito, mas o visual é um padrão estético rígido mascarado de saudável. E nós, mulheres de 30+, somos o público que mais absorve essa cobrança.

Porque estamos numa fase da vida em que:

  • o corpo muda,
  • o metabolismo muda,
  • as prioridades mudam,
  • o tempo diminui,
  • o cansaço aumenta,
  • e a comparação pesa.

A comparação nunca foi tão sutil e tão cruel.

O peso emocional de tentar ser algo que nem é real

Eu vejo muitas mulheres olhando para esse novo padrão e achando que a culpa é delas. Que é falta de disciplina, de foco, que é preguiça.

Mas ninguém fala sobre:

  • a quantidade de procedimentos
  • a modulação hormonal
  • os remédios
  • a estética não natural
  • a genética privilegiada
  • o tempo investido
  • o dinheiro investido
  • os bastidores que nunca aparecem

Quando vemos o corpo do TikTok só estamos vendo o resultado final, nunca o esforço silencioso, a cobrança interna e a realidade por trás. E quando a gente tenta alcançar um ideal que é, literalmente, construído… a gente se perde no processo.

Perde autoestima, perspectiva, leveza…

E o mais triste é que muitas mulheres começam a achar que o corpo que têm já não é suficiente, quando, na verdade, é o padrão que é irreal.

O que eu aprendi observando tudo isso

Depois dos 30, tudo ganha outro peso. As comparações que antes pareciam bobas começam a ser profundas, as cobranças internas ficam mais duras e os padrões parecem mais distantes.

E, por isso, eu precisei aprender a olhar para tudo isso com mais consciência.

Aprendi que esse novo padrão é bonito, mas não é real. Aprendi que saúde não tem uma forma específica e que envelhecer com força e leveza é muito mais bonito do que parecer um filtro de vídeo.

Aprendi que corpo adulto não precisa seguir padrão de aplicativo. E, principalmente, aprendi que o corpo que eu cuido hoje vale muito mais do que qualquer corpo que eu poderia tentar imitar.

O TikTok pode até ditar tendências, mas quem dita a sua saúde é você, quem dita a sua rotina é você e quem dita o que faz sentido para sua vida é você.

Nenhum padrão vale o preço da sua paz.

Esse novo padrão de corpo, “magro, mas definido; forte, mas slim”, até parece moderno, saudável, inspirador. Mas, na prática, ele é mais uma forma de cobrança estética disfarçada de motivação.

Nós, mulheres 30+, que carregamos trabalho, casa, vida emocional, hormônios, responsabilidades e maturidade, não precisamos de mais um padrão impossível.

Precisamos de mais verdade, de mais acolhimento, de mais consciência, de mais realidade. O corpo perfeito não é o que aparece no TikTok, é o corpo que te permite viver a vida que você quer viver, com saúde, energia e presença.

O resto? É tendência. E tendências passam, mas sua saúde fica.

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