Hormônios, procedimentos estéticos e treinos “naturais”: a busca pelo corpo perfeito que está adoecendo mulheres
A normalização de hormônios, remédios e procedimentos estéticos entre influenciadoras fitness está adoecendo mulheres que tentam acompanhar todas essas modinhas em busca de um corpo perfeito. Uma reflexão madura sobre corpo, saúde e comparação.
Nos últimos anos, o mundo fitness ganhou um brilho próprio. Ele aparece embalado em vídeos curtos, corpos definidos, promessas de mudança rápida e rotinas que parecem motivadoras, até demais.
Mas conforme esse universo cresceu, cresceu também algo mais silencioso: uma normalização perigosa do uso de hormônios, remédios e procedimentos estéticos.
Tudo isso, claro, vendido como “resultado natural de treino e dieta”.
E nós, mulheres adultas, mulheres que carregam vida, rotina, cansaço, trabalho, responsabilidades e uma autocobrança enorme… estamos pagando um preço emocional e físico por acreditar nessa ilusão.
Este artigo não é sobre apontar dedos. É sobre abrir uma conversa que já passou da hora: não dá para competir com um corpo construído com estratégias que ninguém conta.
Hormônios, procedimentos estéticos e treinos “naturais”: a busca pelo corpo perfeito que está adoecendo mulheres
O discurso do “é só se esforçar” que esconde a parte mais importante da história
Eu leio e escuto isso o tempo todo, em alguns casos até falo também: “Eu consegui, você também consegue.” “Treino duro e foco são tudo.” “É só ter disciplina.”
E, por muito tempo, eu também acreditei que bastava criar a rotina perfeita. Acreditava que, se não tivesse os mesmos resultados que via no Instagram, o problema era meu.
Eu pensava que era falta de esforço, falta de foco, falta de força de vontade. Mas quanto mais eu observava, mais percebia que havia um silêncio enorme sobre tudo o que acontecia por trás das câmeras.
A verdade é que muitas influenciadoras que defendem uma imagem de “corpo natural” usam hormônios, testosterona, oxandrolona, moduladores, remédios controlados, e fazem procedimentos estéticos que aceleram e sustentam resultados. Mas nada disso aparece no reels de 15 segundos.
No vídeo, parece que o corpo veio apenas de agachamento, água com limão e marmitinhas coloridas. E é aí que começa o problema.
O impacto emocional: quando a comparação vira doença silenciosa
Você sabe qual é a diferença entre uma influenciadora fitness e uma mulher comum? A influenciadora vive da própria imagem. E a mulher comum vive da própria vida.
Enquanto uma treina duas horas por dia, faz drenagem, faz laser, consulta nutricionista toda semana e segue protocolos estéticos, a outra está:
- cuidando da família,
- trabalhando,
- lidando com hormônios reais,
- tentando dormir bem,
- fazendo o melhor que pode.
Mas, quando vemos o corpo perfeito no feed, acreditamos que nós estamos falhando, que não estamos nos dedicando o suficiente, que não temos disciplina, e isso adoece.
Dói no corpo, mas dói muito mais na cabeça. Porque é injusto tentar alcançar um objetivo que só é possível com estratégias que não te contaram, e que, muitas vezes, nem são seguras.
A vida real não compete com o laboratório, com a clínica ou com o filtro
O que mais me preocupa não é o uso dos hormônios em si, cada mulher adulta tem autonomia sobre o corpo que habita.
O problema é quando alguém faz uso e diz que não faz, quando vende uma imagem “natural” que não é natural, quando cria expectativa de resultado que não existe na realidade de 99% das mulheres. E, principalmente, quando lucra com a insegurança de quem acredita que tudo vem de “foco”.
E enquanto isso:
- o ciclo menstrual pesa,
- o metabolismo desacelera,
- a rotina cansa,
- a mente grita,
- a autoestima oscila.
Mas o vídeo continua dizendo que “é só querer”. Pois é. só que a vida real não cabe nesse roteiro.
O corpo perfeito das redes é produzido, não conquistado
Alguns corpos que vemos no Instagram são construções estéticas, e não há problema algum em optar por procedimentos ou hormônios, o problema existe quando isso é escondido e vendido como mérito exclusivo de treino.
O corpo das redes tem:
- luz estratégica,
- milhares de takes,
- pump muscular,
- pose,
- retoque,
- ângulo,
- edição,
- procedimentos,
- acompanhamento diário,
- investimentos altos.
E quando uma mulher de 38 anos, cansada, tentando fazer o melhor por si mesma, compara esse corpo com o dela, ela perde, mesmo quando está ganhando saúde.
Porque o termômetro que ela usa está quebrado.
O que eu aprendi, e o que quero que você sinta ao terminar este texto
Depois dos 30, eu entendi que o corpo é uma casa que a gente cuida, não uma vitrine que a gente exibe, e muito menos uma corrida que a gente precisa vencer.
Hoje eu treino por mim, não para ser outra pessoa, cuido da minha alimentação por saúde, não por punição. E, principalmente, parei de seguir promessas que não valem o preço emocional que cobram.
Sim, eu tenho corpo que se encaixa no padrão, mas em diferentes momentos da minha vida eu descuidei dele, me abandonei, e o resultado foram alguns quilos extras e um corpo que pedia socorro para ser cuidado. E o que me fez acordar, foi o desejo enorme de ser uma velhinha que vai ao banheiro sozinha, que tem autonomia para fazer as coisas simples do dia a dia. E, um medo enorme, apavorante, de ficar obesa e ter que lidar com todas as consequências que isso nos traz.
O que desejo para você é que também queira cuidar mais de você, da saúde, por você e por aqueles que ama. E, que ao longo deste processo, você também se liberte do peso da comparação, da cobrança silenciosa, da ilusão que parece possível, mas não é.De um padrão que não foi feito para mulheres reais.
E lembre-se: você não está atrasada, não está falhando, não é insuficiente. Você só está vivendo a vida real, o corpo real, o tempo real, e isso nunca será um problema.
Pelo contrário: é o que faz a sua jornada ser bonita.
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